Benedicto Lopes

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Benedicto Moreira Lopes, mais conhecido como Benedicto Lopes, (Campinas, 11 de novembro de 1904 — Campinas, 8 de agosto de 1989) foi um piloto brasileiro de automobilismo.

Benedicto Lopes nasceu em 1904 em Campinas, filho de um maestro e de uma dona-de-casa. De origem humilde, após a Revolução Constitucionalista de 1932 decidiu aplicar seus conhecimentos de mecânica comprando jipes avariados para reformar e revendê-los, atividade que lhe rendeu grandes lucros. Em pouco tempo já havia montado uma oficina própria e era um mecânico de renome na cidade. Um de seus clientes, Dante de Bartolomeu, foi quem lhe deu o incentivo para que começasse a participar de corridas de automóveis: ofereceu-lhe um Bugatti antigo para que usasse nas corridas.

Sua estreia como piloto aconteceu em 1934, no 2º Grande Prêmio do Rio de Janeiro, no Circuito da Gávea. Benedicto correu com o Bugatti ofertado pelo amigo. O trajeto era tão acidentado que foi apelidado de "Trampolim do Diabo". Com avarias mecânicas, Benedicto teve de abandonar a prova na segunda volta.

Em 1935 participou novamente, desta vez com um Ford adaptado por ele mesmo. A partir da 6ª volta liderou quase toda a prova e estava próximo da vitória quando, na 22ª volta (das 25 totais) bateu no retardatário Felipe Rueda, que estava atravessado na pista, aparentemente de forma proposital de modo a ajudar um amigo, o argentino Ricardo Carú, que vinha em segundo e acabou vencendo a prova.

A primeira vitória veio no ano seguinte, no trajeto pela estrada de Petrópolis. Depois dessa vitória vieram outras, como no circuito do Chapadão, em Campinas, e na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. Ainda em 1936, Lopes conheceu a famosa piloto francesa Hellé Nice, que estava no Brasil para disputar corridas no Rio (Circuito da Gávea) e em São Paulo (Circuito do Jardim América). Neste último circuito Hellé Nice sofreu um grave acidente na reta de chegada, resultando em vários mortos e feridos. Com o trauma sofrido, ela decidiu abandonar as pistas, e vendeu seu Alfa Romeo 8C a Lopes que o restaurou com as peças que ela lhe enviou da Europa no ano seguinte.

Em 1937 Benedicto mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a morar com a família num confortável apartamento em Ipanema. Neste mesmo ano recebeu um convite do Automóvel Club de Portugal para participar de corridas naquele país.

Em Portugal, participou primeiramente da corrida de Vila Real, ocorrida em 25 de julho de 1937. Havia nove concorrentes, e Lopes chegou em terceiro. Em seguida, tomou parte da corrida em Estoril a 15 de agosto. Participaram da prova cinco pilotos, tendo Benedicto chegado em segundo. Com estes feitos, Benedicto se tornou um dos primeiros brasileiros a participar de provas em solo europeu, após Manuel de Teffé.

Já de volta ao Brasil, conquistou duas vitórias seguidas em setembro: no Grande Prêmio de São Paulo (Circuito Jardim América) e no 3º Circuito do Chapadão, em Campinas. Em 1939 se inscreveu para participar da corrida de inauguração da pista do autódromo de Interlagos que ocorreria a 26 de novembro do mesmo ano. Seu nome foi citado nos jornais, entre os principais pilotos da época:

"O Grande Premio Automobilistico será disputado por 34 volantes todos nacionaes ou radicados no Paiz, destacando-se entre elles os maiores azes do auto-esporte no momento, como por exemplo Francisco Landi, Nascimento Junior, Benedicto Lopes, Manoel de Teffé, Domingos Lopes, Rubem Abrunhosa, Avelar e muitos outros."

Em decorrência das fortes chuvas no dia, esta prova acabou sendo adiada para o dia 12 de maio de 1940, considerada atualmente como a data oficial da inauguração de Interlagos, ocasião na qual Lopes conquistou o 4º lugar.

Benedicto correu até 1954, quando já contava 49 anos de idade. O "Campineiro Voador", como era então conhecido, fez sua última participação no circuito de rua do Maracanã, conquistando o primeiro lugar. Em sua homenagem, dois anos depois foi promovida a competição "Prêmio Benedicto Lopes", que se realizou a 12 de agosto de 1956 no Autódromo de Interlagos, tendo como ganhador Celso Lara Barberis.

Desde o início da década Lopes vinha sofrendo de úlceras, cujo tratamento levou-o de volta a Campinas e consumiu as economias da família. Passou o restante da vida de forma modesta em sua cidade natal, onde morreu em 1989.

Em 30 de novembro de 1987 foi apresentado no Congresso Nacional um projeto de lei concedendo a Benedicto Lopes uma pensão especial vitalícia de 10 salários mínimos por seu "pioneirismo no esporte automobilístico brasileiro". Na exposição de motivos da referida lei, a defesa do projeto é feita pelo então ministro da fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira, que afirma ter ele sido o "primeiro piloto brasileiro a participar de corridas na Europa". O projeto foi aprovado e entrou em vigor em fevereiro do ano seguinte.

No ano em que se completaram 20 anos de sua morte, no dia 10 de junho de 2009, foi promulgada uma lei municipal em Campinas que institui o "Dia Municipal do Antigomobilismo e do Antigomobilista Piloto Benedicto Lopes", a ser comemorado no último domingo de julho. Há também uma rua com seu nome, no bairro Parque São Bento.

Benedicto era de ascendência portuguesa por parte de mãe, mas a linhagem paterna era bastante miscigenada com afrodescendentes, de modo que seu pai tinha o tom de pele escuro e Lopes poderia ser considerado mulato (embora ele se definisse como branco). Por este motivo atualmente alguns movimentos negros se interessam em resgatar sua história como um dos raros representantes dessa etnia no automobilismo.

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