Thomas Erdos

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Thomas Erdos (30 de outubro de 1965, Rio de Janeiro) é um piloto de competição brasileiro.

Todo ano é a mesma coisa. Um número considerável de jovens pilotos brasileiros arruma as malas, junta o dinheiro possível e parte para uma carreira na Europa, quase sempre sonhando em um dia chegar à Fórmula 1. Centenas tentaram e muitos não passaram do primeiro ano – às vezes, da primeira corrida. Vinte e sete chegaram à Fórmula 1, cinco deles GPs e três foram campeões mundiais.

Durante algum tempo, persistiu uma regra não escrita de que os “brasileiros no exterior” (uma expressão que ficou consagrada entre os jornalistas especializados) teriam obrigatoriamente que chegar à Fórmula 1 para dar continuidade à carreira. Quase sempre, o caminho começava pela Fórmula Ford ou pela Fórmula 3. Depois viria a Fórmula 2 e, com sorte, a Fórmula 1. Se o patrocínio acabasse antes, ou se a chegada à F 1 não desse os resultados esperados, o piloto quase sempre dava a carreira por encerrada e voltava para casa. Foi assim até que Ingo Hoffmann, sem espaço na equipe Fittipaldi de Fórmula 1 e sem patrocínio para continuar na equipe Project Four (pertencente a Ron Dennis) na Fórmula 2, voltasse para o Brasil e, de cabeça erguida, se fixasse na Stock Car em 1979, iniciando a carreira mais vitoriosa que um piloto já teve no automobilismo brasileiro. Hoje, basta dar uma passada de olhos na lista de inscritos da Stock para perceber quantos pilotos voltaram ao Brasil depois de correr (às vezes com sucesso) no exterior.

Existe, entretanto, um piloto carioca que nunca correu no Brasil, apesar de já ter quase 20 anos de carreira. Mora na Inglaterra desde meados dos anos 1980 e raras vezes saiu na mídia brasileira. Mesmo assim, inscreve-se sempre como piloto brasileiro e coloca a bandeira do Brasil no macacão e no capacete. Seu nome é Thomas Erdos, filho de húngaros, nascido em 30 de outubro de 1965.

Erdos teve uma ascensão rápida no começo da carreira. Em 1988, seu primeiro ano como piloto, foi vice-campeão da Fórmula First, uma categoria de monopostos parecida com a Fórmula Ford. Recebia um carro para correr em troca do trabalho como mecânico na fábrica da Swift, fabricante dos chassis usados na Fórmula First. No ano seguinte, terminou em terceiro lugar no campeonato inglês de Fórmula Ford 2000. E em 1990 foi campeão britânico de Fórmula Renault.

Esses desempenhos despertaram o interesse de equipes inglesas de Fórmula 3 e Fórmula 3000. Uma delas foi a Mansell Madgwick Motorsport, que tinha Nigel Mansell como sócio e disputava o Campeonato Britânico de F-3000. Nos testes, Erdos foi consideravelmente mais rápido que todos os outros pilotos avaliados pela equipe. “É um futuro campeão”, entusiasmou-se Mansell. Só que, para correr, Erdos precisaria levar um patrocínio maior que aquele que dispunha até então – vindo da Chiltern, uma fábrica inglesa de portas industriais. E esse patrocínio maior simplesmente não veio. As vagas na Mansell Madgwick foram preenchidas por Paul Warwick (irmão de Derek Warwick e que conquistaria postumamente o título da temporada) e o brasileiro Marco Greco.

Erdos passou três anos participando de poucas corridas, mas manteve-se ligado ao automobilismo britânico. Só voltou a disputar um campeonato em 1994, na mesma Fórmula Renault onde havia parado depois do título de 1990. No ano seguinte, iniciou uma sólida carreira como piloto de esporte-protótipos e turismo. É participante assíduo da 24 Horas de Le Mans, prova que disputou pela primeira vez em 1995 com um Marcos LM600.

Em 2001, Erdos disputou o BTCC (Campeonato Britânico de Turismo) com um Lexus IS200. Terminou o campeonato em sétimo lugar, mas o carro não era competitivo e sua equipe deixou a competição no final da temporada. Não ficou muito tempo sem volante. Em 2002, foi convidado a participar do BRDC GT Series, o campeonato britânico de carros esporte, competindo em dupla com Ian McKellar Junior em um Saleen S7-R – uma “maquininha” com motor Ford V8 de 7,0 litros e 600 cv de potência. Foram 12 corridas, oito vitórias e três segundos lugares – que, naturalmente, culminaram com a conquista do título, o mais importante de sua carreira desde 1990. Em 2005, Erdos disputa o LMES (Le Mans Endurance Series, um campeonato europeu para carros esporte e protótipos) com um Lola-MG, em dupla com o inglês Mike Newton.

Por que Erdos não é conhecido no Brasil? A primeira razão é óbvia: ele não tem raízes no automobilismo daqui. Erdos só foi “descoberto” pela imprensa especializada brasileira no final de 1988, quando alguns jornalistas brasileiros cobriram o Festival Mundial de Fórmula Ford, uma competição que durava apenas um final de semana e reunia pilotos de todo o mundo, atraídos pela enorme repercussão que essa competição tinha na época.

Como não tinha patrocinadores brasileiros, Erdos não viu necessidade de contratar uma assessoria de imprensa para divulgar seus feitos por aqui. Não havia internet naqueles tempos e a possibilidade de acompanhar suas corridas dependeria da leitura das revistas especializadas inglesas ou do envio de notícias por parte de algum correspondente. Talvez tenha contribuído para isso a postura discreta adotada por Erdos: guiar muito e falar pouco. Quem o conhece fala muito bem dele: “Gente boníssima”, resume o jornalista João Alberto Otazu, um dos que estiveram em Brands Hatch em 1988.

Thomas Erdos suou muito para chegar a um estágio que muitos sonham obter e poucos conseguem: o de piloto profissional, sempre atuando como contratado, independente da obtenção de verbas de patrocínio. Hoje, casado e com um filho, tem uma sólida reputação de piloto rápido e técnico, sendo um dos pilotos brasileiros mais bem sucedidos no exterior. Pena que poucas pessoas saibam disso por aqui.

fonte: gp total

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